Pra onde vai a nossa música ???

Monday, March 19th, 2012
by: Guarassi Nasser

liberdade

Boa Madrugada meu caro leitor!!  Sim, a insônia tem sido uma inoportuna  companheira ultimamente.Tomara que não seja o seu caso, porém como música é a minha vida, tenho que aceitar esta condição e procurar  fazer algo útil  nestes solitários momentos.

Não é raro hoje em dia ouvir entre leigos, pseudo-entendedores e profissionais da música o sinuoso debate sobre o qual paira a pergunta: Para onde vai a nossa música?
Talvez eu não tenha uma resposta convincente para esta pergunta, no entanto, tenho algumas idéias que acredito ser de grande valia para a compreensão do processo.
A primeira idéia é o fato de que a música deveria fazer parte de um processo educacional ao qual nosso país esta longe de se envolver.
Não é preciso ser muito inteligente para entender que a música é a manifestação cultural mais imediata que um povo pode ter, e pode sim, ser instrumento de crescimento social enquanto valor. Porém, é preciso fazer uma distinção importantíssima, que todo país de primeiro mundo sabe executar muito bem, a distinção entre arte e entretenimento.
Acerta em cheio o leitor que porventura possa estar afirmando: “Ora, mas podemos também nos entreter com arte!  E eu respondo: SIIIIIIIIIIIMMMMM meu amigo!!!Você reinventou a roda!!!O problema é que para alguém curtir arte é preciso entendê-la, ou seja,  como foi feito, o quanto de talento e esforço tem naquela obra e principalmente como aquilo lhe causou impacto.Ninguém gosta de algo que não entende!!! Isto é fato.
A música feita com arte, com esmero artesanal, com talento, esta perdeu espaço justamente numa época em que todos nós temos acesso a tudo no espaço de um clique, o que me soa extremamente contraditório.
O problema é que uma das nações mais felizes do mundo (segundo estatísticas da própria ONU), não tem educação para apreciar música-arte, assim, não tem como absorver cultura e acaba por entrar num ciclo vicioso onde somente aquela música de 3 acordes e meia dúzia de palavras  chulas de refrão  “imbecilóide” ,  tenha vez em seus pobres ouvidos.
ACOOOORDA BRASIL!!!  Já é tempo de perceber que o que toca no radio é porque alguém pagou pra tocar e não porque aquilo é bom. Já passou da hora de deixarmos de caminhar como se fôssemos uma boiada rumo ao matadouro existencial.
A culpa não é do Brasileiro, a culpa disso é o fato de que a exploração econômica do mercado do entretenimento é levada muito mais a sério do que a educação e a políticas públicas na área da cultura. Isto faz com que você brasileiro, ouça somente aquilo que alguns  empresários aleijados existenciais e “podres de rico” querem.
Não quero aqui criticar esse ou aquele estilo musical, até porque na minha opinião só existem dois tipos de música, a boa e a ruim. Muito menos, quero problemas com os chatos de plantão que pautam suas vidas nos  “achismos”  fundamentados em comentários placebo  do FACEBOOK. Quero sim, dizer, que todos nós cidadãos brasileiros temos o poder de buscar divertimento no uso saudável do ouvido e eu não me refiro ao uso regular de cotonetes.
Pensar não dói, olhar para coisas diferentes nos torna diferentes sempre para melhor.
Proponho aqui um pequeno desafio á você leitor. Da próxima vez que você ouvir uma música, seja no radio, na TV, no computador, pergunte-se se realmente você gosta daquilo ou se esta simplesmente repetindo mentalmente uma enxurrada de bestereirol  e dando audiência (e muita grana) pra alguém que só esta pensando em seu próprio bolso.
Outro aspecto importante para entendermos para onde vai a nossa música, é entendermos o momento histórico em que vivemos.
Se fizermos um breve restrospecto  da história da música no Brasil, fica fácil entender porque os anos oitenta foram tão fundamentais para o rock nacional, por exemplo, ou ainda porque a bossa nova e a jovem guarda povoaram os sonhos da  juventude dos anos 60 e 70. Estes movimentos foram resultado de um contexto histórico, políltico, econômico e social de contornos muito bem definidos.
Hoje em dia é muito fácil falar mal do presidente da república numa letrinha mixuruca de rock, outra coisa é você criticar o governo tocando rock, de frente pro Palácio do Planalto, no período da ditadura arriscando fazer uma visitinha aos porões do DOPS, ou até mesmo ser declarado “DESAPARECIDO”.
Vivemos na época do imediatismo à toda prova, da música instantânea, do macarrão instantâneo, do prazer instantâneo. Isto faz com que qualquer coisa que nos obrigue a pensar, seja colocada em segundo plano.
Eu também tenho meus momentos de imediatismo, não é todo dia que queremos ouvir uma poesia, ou uma música cheia de acordes com melodia e letras existenciais. Porém, o oposto exagerado também não dá!!!!!
Existem centenas  de bons artistas , fazendo trabalhos fantásticos e honestos  no Brasil e no mundo é só querer ouvi-los. A grande questão é que estes artistas, não trazem o lucro rápido que os empresários desejam para alimentar suas vidas vazias, repletas de futilidades, hedonismo e muito whisky paraguaio, logo, não são “interessantes” para  a mídia. Não sendo interessantes para a mídia, não chegam até você.
O papo aqui é música, mas poderia se encaixar perfeitamente na programação televisiva que você escolhe para seus filhos, no marketing desesperado do comércio que te obriga a sentir necessidade de comprar aquilo que você, dois dias atrás nem sabia que existia, nos livros de auto-ajuda que não ajudam ninguém, nos líderes religiosos que prometem o céu para que você tenha a certeza absoluta de que já vive no inferno, enfim, poderia escrever aqui durante a madrugada inteira, mas eu estou exausto e quero ter certeza de que não deixarei passar nada.
Por fim quero agradecer a você, que teve a coragem de ler este texto até o fim, ainda que não tenha entendido muito bem ou até mesmo discordado das opiniões aqui por mim expostas.Isto prova claramente que você, meu caro leitor, esta dispensando seu lugar na organização “bovina” da cultura brasileira.
Mas afinal, pra onde vai a música?
R:  Ela vai pra onde você quiser, é só se permitir conhecê-la um pouco mais  “curtir e compartilhar”.

Texto: Daniel Malker

mpb

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